Exposição Colectiva |  2025

Janelas de Intimidade (I,II,III)

   As três peças são feitas em algodão, um material cru e delicado. Sobre ele, corpos azuis livres de género ou identidade. Essas figuras evocam lembranças universais, tão humanas que poderiam pertencer a qualquer um. Na composição, os corpos entrelaçam-se com fluidez, expostos na sua forma mais íntima, onde organicamente não se percebe onde um corpo começa e o outro termina.
 
   As peças retangulares assemelham-se a janelas que enquadram o olhar. Podem ser vistas como janelas separadas – três casas, três momentos, quaisquer pessoas. Mas também como uma única construção da intimidade, um instante que se desenrola diante de nós. 
 
   Os gestos são ampliados como se de um ponto de vista se tratasse – fragmentos de imagens que surgem num instante, como um flash ao revisitar um lugar, no momento que, ao fechar os olhos, as lembranças se revelam com a mesma nitidez do presente.
 
   Uma casa pode desaparecer, mas não a memória sensorial dela, essa resiste. Os gestos, os movimentos, o que se sentiu no momento perdura, mesmo quando já não existe toque, quando tudo pára e os sentimentos desvanecem. 
 
   Convidam-nos a olhar para essa permanência intangível — para aquilo que, mesmo sem forma definida, continua a habitar-nos, porque um lugar nunca termina por inteiro.

Contexto

   [Entre Paredes] na Casa das Artes Bissaya Barreto, é uma exposição concebida anualmente para ilustradores que desejem criar e expor, sem estarem limitados ao branco das paredes ou à superfície da tela ou do papel.

   Paredes podem representar limites – mas como se delimitam os lugares que nos marcam ao longo da vida?

   Entre as paredes que já fizeram uma casa, foi lançado um desafio aos artistas: pensar o que permanece e o que se perde No Fim De Um Lugar.

   Os artistas expostos foram Amadeu, Bárbara R. , Benedita Santos, Mafalda M. Gonçalves, Maria Manuel, Sara Marques, Sofia Taipa, Vitor Reis.